sexta-feira, 11 de maio de 2007

chile

Geografia física
Geologia e relevo. Formado pela vertente ocidental da cordilheira andina, o território chileno caracteriza-se por sua uniformidade morfológica, com relevo geralmente acidentado, mas de estrutura simples e bem ordenada em três grandes faixas longitudinais: duas cadeias montanhosas e uma depressão central que as separa. Essas três unidades morfológicas datam do período terciário, quando o dobramento alpino elevou a cadeia dos Andes.
Na parte oriental encontra-se a primeira faixa longitudinal do relevo. Esse setor, formado pela cordilheira dos Andes (cuja parte setentrional é denominada Domeyko), apresenta uma topografia maciça e imponente. Desde sua formação, essa região montanhosa é atingida por um vulcanismo quase permanente e por freqüentes movimentos sísmicos. No centro e norte dos Andes chilenos, os grandes vulcões, em atividade ou extintos (alguns cobertos por geleiras), constituem as maiores altitudes da cordilheira, como o pico Ojos del Salado (6.893m) e o monte de Llullaillaco (6.723m). Em direção ao sul, a altura diminui até dois mil metros na Terra do Fogo. A cordilheira se divide em inúmeras ilhas, estreitas e largas onde, devido à latitude, a ação dos gelos é muito acentuada. O relevo contínuo da cordilheira dificulta o acesso; no norte, as passagens naturais se localizam a altitudes próximas ou superiores a quatro mil metros (passos de Socompa e San Francisco) e ao sul de Santiago alguns vales transversais de origem glacial facilitam o acesso à Patagônia argentina.
A segunda faixa longitudinal também se estende de norte a sul aos pés da cordilheira andina. Trata-se de uma depressão parcialmente preenchida com aluviões e depósitos de vários detritos que formam planícies estreitas e descontínuas, sobretudo nos pampas desérticos do norte (deserto de Atacama, pampa do Tamarugal), e no grande vale central que se estende entre Santiago e Puerto Montt, e que inclui as bacias dos rios Maule e Bío-Bío.
Paralelamente às duas faixas longitudinais anteriores, estende-se a cordilheira da Costa, de altitude muito mais moderada que os Andes. Sua altura também diminui de norte para sul, de três mil metros da zona de Atacama a dois mil metros na região de Santiago. Seu relevo perde continuidade na mesma direção: forma blocos isolados que, ao sul de Puerto Montt, afloram na ilha de Chiloé e em costas e arquipélagos bastante recortados. No centro e norte, entre a cordilheira da Costa e as águas do Pacífico, encontra-se uma faixa estreita de planícies costeiras e de terraços marinhos que formam um litoral muito reto. Tal fato se deve à disposição longitudinal do relevo que, não penetrando transversalmente no oceano, impede a formação de cabos e baías.
Clima. Devido a sua extensão em latitude, o Chile apresenta todos os climas característicos das regiões ocidentais dos continentes, com exceção dos tropicais úmidos e polares.
No norte, fica o deserto (puna) Atacama, onde Iquique tem uma temperatura média anual de 18o C e registra precipitações ínfimas. A partir dos 30o de latitude sul, o Chile central se caracteriza por um clima mediterrâneo, com temperatura média anual de 14o C e precipitações de 360mm, com acentuada seca estival. Em direção ao sul ocorre uma queda de temperaturas e um aumento de precipitações, graças à umidade trazida pelos ventos oceânicos do sudoeste; Valdivia, cidade típica desse clima temperado oceânico, apresenta temperatura média anual de 12o C e precipitações de 2.510mm. O extremo sul do país, devido à grande altitude, é dominado por um clima subpolar.
Essa variedade climática é atenuada de um extremo ao outro do território chileno pela influência moderadora do oceano Pacífico, que, percorrido pela corrente marinha fria de Humboldt, mantém relativamente baixas as temperaturas ao norte do paralelo 40o. Assim, a diferença entre as temperaturas médias anuais da fronteira peruana ao cabo Horn não vai além de 15oC. No norte do país, as águas marinhas frias dão lugar às neves costeiras permanentes conhecidas pelo nome de camanchacas.
Nas regiões montanhosas ocorrem climas de tundra e de altas montanhas acima de quatro mil metros.
Hidrografia. A pequena distância que existe entre a cordilheira dos Andes e o oceano determina a configuração de uma rede hidrográfica de rios curtos e pouco articulados (correm paralelamente uns aos outros). O regime fluvial está diretamente relacionado com as condições climáticas: os rios do norte são pouco caudalosos e de regime muito irregular, devido à aridez do clima. O mais importante é o Loa, o único que consegue desembocar no oceano. Em direção ao sul, aumenta o número de cursos fluviais, bem como o volume de suas águas, alimentado pela fusão das neves e pelas chuvas cada vez mais abundantes; no centro e no sul do país, destacam-se os rios Copiapó, Huasco, Limari, Maipo, Bío-Bío, Valdivia e Maullín.
Flora e fauna. No norte desértico, a umidade das névoas costeiras permite o desenvolvimento de florestas de alfarrobeiras, cactáceas e arbustos espinhosos. O clima mediterrâneo do Chile central propicia a formação de uma estepe de acácias e palmeiras chilenas mais densa que a correspondente aos climas mediterrâneos da Europa; no vale central, cresce o copihue, arbusto trepador cuja flor é típica do Chile. Em direção ao sul, num ambiente muito mais úmido, erguem-se as densas florestas de araucárias, carvalhos e faias, sobre uma densa cobertura de pteridófitas. Finalmente, no extremo sul do país, ocorre o domínio da tundra de tipo subpolar.
A lhama, a alpaca, a vicunha, o puma, a chinchila e o huemul (um tipo de veado), são alguns dos mamíferos mais característicos do país, principalmente das regiões setentrionais e centrais. No extremo meridional destaca-se o guanaco, de que se obtém uma lã de excelente qualidade. O condor vive nos picos andinos, enquanto que nas costas meridionais encontram-se focas, pingüins e baleias.

Nenhum comentário: